O que é anestesia ambulatorial?

Com as recentes evoluções das drogas anestésicas e técnicas cirúrgicas, é possível a realização de qualquer ato anestésico sem que haja a necessidade do paciente permanecer internado a nível hospitalar. Entende-se por procedimento ambulatorial o fato de o paciente internar no mesmo dia da cirurgia e permacer sob o controle médico até a completa recuperação das funções físicas e vitais, tendo alta para casa no mesmo dia do procedimento anestésico e cirúrgico.

Quais os pacientes que podem ser submetidos a cirurgias em nível ambulatorial?

O papel do anestesiologista neste momento é fundamental, pois é na visita pré-anestésica que se podem identificar quais os pacientes que tem condições de se submeterem ao procedimento ambulatorial de forma segura. É neste instante que o anestesiologista após a avaliação clínica e laboratorial, poderá identificar os riscos, esclarecer o procedimento e juntamente com o paciente tomar a melhor decisão. É de fundamental importância que o paciente entenda e se sinta seguro com o procedimento, podendo assim aderir melhor ao tratamento. É bom lembrar que a anestesia em si não é o único fator limitante do procedimento, e sim a condição clínica do paciente e o tipo de cirurgia a ser realizada. Por exemplo, cirurgias em que ocorrerá grande perda sangüínea, necessidade de hidratação venosa por período prolongado ou com dor de difícil controle, não são adequadas à realização em nível ambulatorial.

Pacientes idosos ou com múltiplas patologias podem ser submetidos a procedimentos ambulatoriais?

A idade passa a ser fator limitante apenas para crianças que nasceram prematuramente (antes da 37a semana) e que tem menos de 50 semanas de idade pós-conceptual. No caso das pessoas idosas, é bom lembrar que o que importa não é a idade cronológica e sim o grau de disfunção orgânica, que ocorre pelo acometimento de patologias associadas ou alterações fisiológicas próprias da idade. Da mesma forma, pacientes podem ser acometidos por uma ou mais doenças, e o que importa é o grau de estabilidade e controle da doença, bem como do comprometimento sistêmico ou de órgãos como o coração, rins, pulmões e sistema nervoso central, principalmente.

Qual o tipo de anestesia que será utilizada?

Todas as técnicas anestésicas são passíveis de serem utilizadas para a realização de cirurgias ambulatoriais, ou seja, anestesia geral, bloqueios de nervos periféricos, raquianestesia, peridural ou sedação. O que fará a diferença será o tipo de drogas a serem utilizadas, que visam uma recuperação mais rápida e menor efeito residual, permitindo uma rápida recuperação das funções físicas e vitais.

Como que se dá a recuperação do procedimento? A recuperação de um procedimento anestésico e cirúrgico se dá em três etapas:

Fase inicial – é o momento do término do procedimento cirúrgico, em que o paciente sob os cuidados do anestesiologista, começa a despertar e a recuperar os reflexos vitais. Após o paciente é encaminhado a sala de recuperação pós-anestésica dentro do centro cirúrgico. Este período normalmente é breve, apenas permitindo uma melhor estabilização do paciente que logo será encaminhado ao quarto de internação onde continuará com a sua recuperação, sob os cuidados da enfermagem e supervisão dos médicos.

Fase intermediária – seria o momento da completa recuperação clínica, ou seja, este paciente tem condições de se manter sem a necessidade de um cuidado mais imediato de médicos e enfermagem. Seria aquele paciente que teve a completa recuperação dos sinais vitais (Pressão Arterial, Freqüência cardíaca e Respiratória) e um bom grau de atividade física conseguindo manter-se com a necessidade de pouca ajuda.

Fase tardia – é o momento da recuperação completa em que o paciente consegue retornar as suas atividades diárias de trabalho e lazer.

Quando que o paciente tem condições de alta hospitalar?

No momento em que o paciente tiver com os sinais vitais (Pressão Arterial, Freqüência Cardíaca e Respiratória), deambulando (com exceção dos pacientes que forem submetidos a bloqueios periféricos de membros inferiores), aceitando alimentação oral (líquidos), com pouca dor ou de fácil controle com medicação oral, sem náuseas e vômitos intensos, pouca sonolência e permanecer estável por pelo menos 1 hora, terá plenas condições de ir para sua residência e ficar sob os cuidados de um adulto responsável. Lembrar sempre que em casa deverá manter repouso relativo evitando manusear instrumentos cortantes, fogão ou água fervente, não dirigir, não ingerir bebidas de álcool, pelo período de 24 horas.

Poderá acontecer do paciente não conseguir ter alta no mesmo dia?

Sim é possível, pois a alta somente será dada em condições de segurança e conforto para o paciente. As causas mais freqüentes são náuseas, vômitos, dor e sangramento. Mas também existem aqueles pacientes que poderão apresentar algum grau de descompensação da patologia prévia ou quando o anestesiologista ou cirurgião julgarem mais seguro a internação.

Quais as complicações mais freqüentes em anestesias ambulatoriais?

Toda e qualquer complicação é passível de acontecer após ou durante um procedimento anestésico e cirúrgico. Mas com maior freqüência podemos observar náuseas, vômitos, dor na ferida operatória, dor de cabeça, dor de garganta, calafrios, febrícula, sonolência leve, tonturas, mal estar.

O importante é ter em mãos o telefone de seus médicos e do hospital onde realizou o procedimento e se necessário retornar ao hospital para a reavaliação.